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Era uma tarde quente e nublada em Santa Clara. Após conhecer todas as atrações, monumentos e muito caminhar pela cidade, resolvi sentar em um banco do Parque Leoncio Vidal para observar os costumes de domingo dos moradores locais. Em meio a essa observação, três crianças chamaram minha atenção. Elas riam, corriam, pulavam, se divertiam. Estavam sozinhas, não havia nenhum adulto por perto. Também não havia brinquedos. Em suas mãos, pedaços de um balão estourado tentavam transformar-se em bola, árvores viravam esconderijos, o vento virava asas. Ao perceberem-se observadas, passaram a me observar também. A mais velha das três tentava chamar minha atenção de todas as formas mais comuns a uma criança mimada. O menino mais novo foi brincar em uma floreira, tímido. E a do meio apenas me observava, distante. E foi em meio a esses olhares que os sons passaram a sumir e ficamos somente nós ali, eu e Esperanza.


Com suas pequenas mãos, me mostrou como jogar. Não sei precisar quanto tempo ficamos ali, mas a tarde a seu lado passou rápido. E a medida que brincávamos, aqueles sons de risada gostosa de criança feliz passaram a tomar conta de mim.

Lembrei da minha infância, de quando corria pelo meio da rua para brincar. Lembrei da minha árvore preferida no pátio da casa do Cassino e de como eu me imaginava sendo uma heroína em cima dela. E foi assim que, sem perceber, Esperanza me devolveu a esperança. A esperança de ver novamente um mundo onde as crianças sejam realmente crianças, onde saibam buscar em cada pequeno detalhe um motivo para brincar e sorrir.

E, mais que isso, Esperanza me proporcionou um encontro com uma parte de mim que há muito estava adormecida em um lugar qualquer. Um lugar onde eu já havia perdido a esperança de encontrar e que, talvez, eu já nem me lembrava mais que existia.

Foto: Fabiana Reinholz


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